Al Gore quer mudar o capitalismo

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos (o país mais capitalista do Planeta), Albert Arnold “Al” Gore Jr, que também é uma das principais personalidades contra as mudanças climáticas, publicou na semana passada um pedido para que o mundo seja menos capitalista. O texto chamado “Manifesto para o Capitalismo Sustentável”, propõe um novo modelo econômico, mais sustentável.

 

No texto Al Gore e David Blood (sócios na empresa de investimentos Generation Investment Management) afirmam que o mundo está vivendo um momento de muita tensão, com desafios grandiosos e perigosos, mas também por grande oportunidades. Ele sugere que as empresas mobilizem a sociedade para um mundo melhor.

 

“As ameaças para o planeta são extraordinárias: mudanças climáticas, escassez de água, pobreza, doenças, desigualdade econômica, urbanização, volatilidade dos mercados e outras mais. A iniciativa privada não pode fazer o trabalho dos governos, mas companhias e investidores podem mobilizar boa parte do capital que é preciso para vencermos os obstáculos que estamos enfrentando”, descreve o manifesto.

 

O Al Gore é um cara bacana, mas dessa vez ele está pedindo demais. Não que eu não concorde que as empresas tem um papel importantíssimo nas mudanças que o planeta precisa. Contudo, são os paradigmas que precisam ser mudados. O capitalismo só é tão forte hoje, porque aprendemos a ser consumistas, a darmos valor a tudo que compramos. O dinheiro é a locomotiva da sociedade.

 

O mundo precisa de campanhas para que as empresas não tenham lucro, para que as pessoas só tenham aquilo que realmente precisam. Esse discurso é batido, mas como diria Joelmir Beting: na prática a teoria é outra. Esse mundo não existe. Mais uma vez: O dinheiro é a locomotiva da sociedade. Imaginem empresas sem lucros?

 

O documento propõe ainda que as empresas abranjam padrões ambientais, sociais e de governança. De acordo com Al Gore, empresas que já adotam esse tipo de postura estão lucrando, enquanto as não compartilham essa visão estão fracassando, como por exemplo, a BP e o Lehman Brothers. Note-se, que ele sugere que as empresas “corretas” estão faturando mais, o que vai contra ao princípio, de que quanto mais se produz, mas se lucra, e mais se degrada o planeta.

 

Leia as cinco ações imediatas para o setor privado e tire suas próprias conclusões:

 

– Identificar e incorporar ao planejamento estratégico o real valor de recursos que podem variar drasticamente, como a água.

– Melhorar os relatórios e a comunicação, o que permite que empresários e investidores tomem decisões mais sábias na alocação de recursos.

– Eliminar as metas trimestrais de lucros, que impedem o planejamento em longo prazo.

– Alinhar estruturas de compensação com desempenho sustentável de longo prazo. A maioria das recompensas que as empresas utilizam enfatizam ações de curto prazo e falham ao não premiar iniciativas mais duradouras.

-Incentivar os investidores a reterem as ações das companhias por muitos anos. Se as empresas oferecessem recompensas para os investidores mais fiéis, isso diminuiria a volatilidade dos mercados.

 

  “O capitalismo sustentável criará oportunidades e recompensas, mas também significa que devemos abandonar o modelo do curto prazo. Estamos passando por um momento crucial na economia e no meio ambiente globais, e a necessidade de mudanças nunca foi maior”, conclui o manifesto.

 

Até a próxima!

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