Até quando a impunidade será tratada com afagos?

A produção deste texto contou com a colaboração de Bruno Piesco.

 

O lutador de jiu-jítsu Kaio César Alves Muniz Ribeiro, 23 anos, era atleta da Federação do Estado de São Paulo, vice-campeão brasileiro, campeão paulista, faixa marrom e se preparava para disputar um campeonato mundial nos Estados Unidos. Em novembro do ano passado, em Campinas, Kaio voltava da casa da namorada quando foi atropelado na calçada por um Audi que, ao atingi-lo, empurrou-o contra um portão. Ele teve três paradas cardíacas e faleceu. Foi comprovado que a motorista do Audi estava embriagada.

 

Esta é mais uma triste história da interminável violência no trânsito que ocorre no Brasil. Segundo estatísticas são cerca de 40 mil vítimas de acidentes de transporte por ano. Dessas, 40% são decorrentes do álcool na direção, muitos deles motoristas jovens. O que retrata uma classe média alta mimada e sem escrúpulos.

 

A pergunta que não quer calar é: será que não há nada para mudar esse cenário? É neste momento que entra a participação de pessoas fantásticas que querem acabar com a impunidade no trânsito e alterar as leis em nosso país.

 

Rafael Baltresca é um jovem que teve no dia 17 de setembro do ano passado a mãe e a irmã mortas, vítimas de um atropelamento por um carro em alta velocidade. O atropelador, Marcos Alexandre Martins, se recusou a fazer o exame do bafômetro. No boletim de ocorrência (BO), testemunhas afirmam que Marcos estava completamente embriagado.

 

Baltresca poderia tratar a morte de sua mãe e irmã como uma fatalidade da vida, e seguir em frente, agora sem seus entes queridos. Porém, não se conformou e criou o movimento Não Foi Acidente, com o objetivo de mudar as leis brasileiras que abrem tantas portas para a impunidade.

 

É evidente que a tragédia ocorrida com Kaio e com a família de Baltresca não foi um acaso, e poderia ter sido evitada se as pessoas não estivessem alcoolizadas. Provavelmente, se as leis fossem mais severas, não haveria na cabeça dos motoristas, se quer um pensamento de álcool e direção.

 

De acordo com a legislação brasileira o motorista que bebe, dirige e mata, é indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar). Neste caso, se o atropelador for réu primário, pode pegar de dois a quatro anos de prisão. A habilitação pode ser suspensa por um ano. Na prática, segundo a Constituição brasileira, até 4 anos de prisão a pena pode ser convertida em serviços para a comunidade. Em outras palavras, nada acontece para quem mata no trânsito brasileiro.

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é quinto país do mundo em mortes por acidentes de trânsito. Com certeza você deve conhecer ou ter um familiar, amigo ou conhecido que está presente nestas estatísticas.

 

Mas aí é que está o problema! As mortes no trânsito não são apenas números, mas vidas, são lugares vagos na mesa do almoço de domingo. Campanhas bonitinhas e engraçadinhas sobre educação no trânsito não adiantam mais. A sociedade só muda, se o bolso começar a doer e se o delinquente começar a ver o sol quadrado.

 

Como ajudar!

 

Assine a petição criada pelo site Não foi Acidente (necessário ter em mãos o título de eleitor). A petição tem como objetivo básico mudar nossas leis de trânsito, as quais têm tantas brechas e são tão permissivas. São necessárias 1.300.000 assinaturas para chegar ao Congresso Federal.

 

Clique aqui e faça sua parte!

 

 

Até a próxima!

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