O gari está triste

Geralmente, o gari é um cara simpático, que apesar da vida e do trabalho duro, está sempre com bom humor para realizar o serviço, que é de vital importância para as cidades. No carnaval eles são uma atração à parte, mostrando toda sua ginga e rebolado, de quem tem faz malabarismo pra ganhar a vida. Na Virada Cultural é possível vê-los sendo achincalhados pelos catadores de latinha, e ambos, estão apenas fazendo o trabalho deles.

Enfim, o Dia do Gari é comemorado hoje. Porém, eles estão tristes. Não só pelo salário vergonhoso que a Prefeitura de São Paulo paga a eles, cerca de R$ 1.300. Mas também, por perceberem o quanto do seu trabalho vem sendo subutilizado.

É comum ver pessoas mal educadas e sem nenhuma consciência ambiental jogando seu lixo nas ruas, como se as ruas fosse um aterro a céu aberto. Aí se percebe o trabalho essencial desses 3,5 mil profissionais, que recolhem mais de 250 toneladas de lixo todos os dias, só na capital paulista.

Contudo, o problema não está só nas ruas. Recentemente, a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) divulgou um estudo, que mostra que 24% do lixo paulista não tem destino correto. Mesmo depois de quase dois anos da nova Lei Nacional de Resíduos Sólidos.

Garis do Rio de Janeiro-RJ, limpando a praia após a festa de ano novo.

A partir de agosto de 2014, ou seja, logo em seguida à Copa do Mundo, o agente público ou privado que jogar lixo em área imprópria poderá ser enquadrado na lei de crimes ambientais, que prevê multas, trabalho social e até prisão. Nessa mesma data o Estado de São Paulo colocou uma meta de zerar o despejo impróprio de resíduos.

Pelo andar da carruagem, ou melhor, da carroça, essa meta não será cumprida. Até porque ainda existem aterros irregulares, e por mais que a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) aplique multa aos aterros irregulares, a nossa produção de lixo é absurda. Estima-se que o ser humano produza cerca de 400 a 500 quilos de lixo por ano. Isso tem que ir para algum lugar.

O problema é que o governo estadual não está fazendo a lição de casa, que é equipar os lixões existentes com infraestrutura que proteja o ambiente e a saúde, como um sistema de drenagem para que o chorume não contamine o solo e um de captação dos gases que vão para o ar.

E o problema é pior no Brasil. De acordo com o mesmo estudo, 60,5% dos municípios brasileiros deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia, que seguiram para lixões e aterros controlados, sem a devida proteção ambiental.

Bem faz o gari, que com a dureza das ruas faz sambar a alegria da vida. Porque na questão ambiental, ele realmente faz sua função, mas os cidadãos e governantes preferem não se atentar a esse detalhe, que poderia servi-lhes de exemplo.

Até a próxima!

 

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