Por que o transporte coletivo é tão discriminado?

 

A resposta é simples: porque nos sentimos desconfortáveis. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro é normal ver executivos e pessoas em cargos de liderança andando de ônibus e metrô. Diferente de outras cidades, em que andar de ônibus chega a ser uma segregação social.

Nas grandes metrópoles, deixar o carro em casa é sinônimo de chegar mais cedo no trabalho ou em casa. Com o trânsito cada vez mais caótico, entrar no coletivo não é uma má idéia. Contudo, as críticas são freqüentes.

E não é pra menos. Suponhamos que um cidadão more no bairro da Saúde em São Paulo, e trabalhe num dos escritórios da região da Berrini. Ele tem que pegar uma linha de metrô até a estação Ana Rosa ou Paraíso, fazer a baldeação em direção a estação Consolação de metrô, andar quase 1 km a pé debaixo da terra pra chegar na estação Paulista de metrô, pra fazer baldeação até a estação Pinheiros de metrô, onde fará baldeação para a estação Pinheiros de trem e seguir até a estação Berrini de trem.

Isso tudo em meio a muita gente! Em apenas sete meses a estação Paulista já superou o volume proporcional diário da famosa estação da Sé. A estação da linha amarela comporta 145 mil usuários e recebe 300 mil, já a Sé tem capacidade para 800 mil e recebe 1 milhão. Esse trajeto poderá ser feito de ônibus, mas as intempéries do trânsito e do dia a dia deixaram esse veículo em segundo plano. Sem falar que o desconforto é bem maior se comparado aos do trem ou do metrô.

Agora pense: você embarca no seu automóvel, liga o rádio, e sai guiando por aí até chegar no seu trabalho. Fim de expediente, você entra no seu carro e a sensação de estar mais perto de casa é uma benção.

Por mais que o trânsito cause stress e seja algo perigoso e maçante, a sensação de estar no seu carro é muito diferente daquele de estar amassado num vagão ou num ônibus, com centenas de pessoas em volta te observando, com caras que mostram o pensamento longe, ou com cara de loucos. São muitos os personagens que se encontra num coletivo.

O transporte coletivo ainda é uma terra a ser explorada, tem gente que já descobriu isso, shoppings nos terminais, publicidade aos montes, mas ainda é pouco. Quanto mais linhas de metrô e trem, corredores de ônibus, mais gente usufruirá desse serviço.

Porém, é preciso que haja conforto, entretenimento e segurança (isso inclui índice zero de panes). Só assim a guerra contra os carros será vencida. Quando entrarmos num coletivo e nos sentirmos mais próximos de casa, em vez de guerrear por um espaço de cm² para poder ficar de pé por horas.

Existem medidas que podem diminuir as distâncias e a circulação de pessoas. Um bom exemplo disso é o trabalho em casa. Em vez de cinco, que tal uma ou duas vezes ir para o escritório? Lógico que existem profissões em que isso não é possível, mas há profissões que sim, e os patrões por medo ou incompetência não permitem a prática.

Mas vamos lá! O planeta e nós mesmos precisamos entrar num coletivo e tirar algumas coisas boas! Borá fazer amizade!

E para descontrair uma música do Ultraje a Rigor, que é bem bacana para o tema, mas tomara que nem todo mundo tenha tanto dinheiro, porque os problemas dos carros vão continuar, mesmo com os táxis.


Até a próxima!

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