O conflito de São Paulo com os carros

Amanhã é o Dia Mundial Sem Carro e aí vai uma reflexão sobre o tema. A imagem de um automóvel acelerando no centro paulistano ou em vias marcantes da cidade (sem nenhum carro), guiado por um executivo de sucesso é bastante comum nos comerciais de TV. Mas só nos comerciais de TV. A cidade de São Paulo lidera o Estado num conflito entre pedestres e esse veículo de quatro rodas.

De acordo com uma da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), 88% dos paulistanos acreditam que o Governo Estadual e Municipal deveria priorizar o transporte público. Oras, com base em uma pesquisa como essa, o que Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab tem a dizer para quem pega o metrô na Estação Paulista ou Sé às 18 horas?

A partir dos anos 50, São Paulo se viu tomada por fábricas de todos os tipos, principalmente das de automóveis, que fizeram o povo paulistano e paulista enriquecer, e se tornar de fato um lugar de oportunidades. Contudo, o passar dos anos mostrou São Paulo cada vez mais caótica, e mais recentemente, com o crescimento da classe C, as ruas foram inundadas por carros.

O incentivo para a compra de veículo automotor é grande, carros mais baratos, preços facilitados, descontos  no IPVA (é possível até não pagar o imposto, por causa dos  créditos na Nota Fiscal Paulista). Não é a toa que São Paulo se tornou a cidade dos carros e não das pessoas.

Porém, qual o incentivo para que as pessoas abandonem os veículos individuais para se render aos coletivos? Veja só um exemplo: o cidadão sai para trabalhar e deixa seu carro em casa, porque sabe que naquele noite haverá um happy hour (cerveja e direção não combinam). Demora 1h30 pra chegar ao trabalho, e ainda todo amassado e com dor nas costas (o tempo de carro seria o mesmo, mas ele estaria sentando e curtindo um som).

Mas não para por aí, ele sai do trabalho e pega um táxi para ir ao barzinho, R$ 30. Uma cerveja aqui, outra ali, papo vai, papo vem e pimba! O nosso amigo conquista uma garota e de lá ele vai para o motel. Pega o táxi e olha que surpresa! Não há nenhum atendimento para quem chega a pé ou de táxi, e é lógico, a moça fica sem graça. E agora, como resolver esse impasse?

Nas calçadas e nas ciclovias o desafio é chegar vivo ao destino. O fato é que a sociedade não está preparada para viver em um mundo sem carros, ou menos individualizado. Aquele que não tem o poder das quatro rodas ainda é julgado como fracassado, porque a sociedade ainda não entendeu que esse cara já chegou ao futuro.

Até a próxima!

 

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