A insegurança paulista

O paulista vive hoje a insegurança de uma guerra, que apesar de velada, vê soldados e civis morrerem a cada novo amanhecer. O descontrole de um lado e de outro é nítido. Mas os focos dessa guerra começaram há quase 30 anos.

Em setembro de 1983, ou seja, naquela época, o Brasil passava por transformações severas. Os militares estavam deixando o governo e a truculência dos homens de farda começava a diminuir. Eis que é preso o “justiceiro das pessoas de bem”, Florisvaldo de Oliveira, conhecido como “Cabo Bruno”. A imponência da Polícia Militar de São Paulo (PM) podia ser traduzida nesse homem.

O policial foi o último ícone da Ditadura Militar, sua inocência e sua culpa foram colocadas em xeque, por “N” júris. Quando um júri era predominantemente formado por pessoas mais velhas, a inocência era certa, quando a maioria era de pessoas mais novas a condenação era iminente. Até que o policial foi condenado a 113 anos de prisão. O episódio foi uma derrota para a corporação, mas representava uma transição.

Quase 10 anos mais tarde, a invasão do Carandiru e a péssima repercussão fizeram com que a polícia perdesse ainda mais a sua imposição de soberania sobre a sociedade. Assim, seus métodos e técnicas começaram a ser questionados.

Em 1997, o caso da Favela Naval, quando um grupo de policiais militares foi filmado espancando e executando pessoas numa blitz na favela de Diadema, fez a Polícia Militar perceber que o mundo havia mudado. Afinal, os policiais foram condenados. A sociedade passou a questionar os mecanismos da PM paulista, e não só a imprensa ou os grupos de direitos humanos.

Até que quase 10 anos mais tarde, o Estado de São Paulo se viu fragilizado e com medo. Na noite do dia 14 de maio de 2006 foram registrados mais de 250 ataques, rebeliões, assaltos, como se o umbral tivesse tomado a forma de São Paulo. E o estado mais poderoso da Federação se tornou frágil perto do poderio de criminosos. Como se não bastasse, em outubro de 2008, policias civis e militares se enfrentaram praticamente em frente ao Palácio dos Bandeirantes.

Os ataques de 2006 foram e ainda são, uma resposta que dura até hoje contra os crimes violentos, cometidos há muitos anos atrás, que continuam a existir. Apesar do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, negar, se torna cada vez mais evidente, que o Primeiro Comando da Capital é uma organização criminosa, que comanda a violência contra o povo paulista.

As frequentes mortes de policiais no Estado é a resposta de grupos das forças policiais que vão pra guerra.  Como disse o “capitão Nascimento”, o policial tem três caminhos a seguir: ele se omite, se corrompe ou vai pra guerra. E assim como numa guerra, é preciso criar uma unidade entre as forças policiais.

Infelizmente, o que se vê é uma política de segurança pública que há anos comete erros. Aos críticos que me desculpem, mas o policial de São Paulo é um verdadeiro herói, afinal de contas, arriscar a sua vida e de sua família é para poucos.

Os corruptores devem ser banidos, os omissos convertidos e os guerreiros promovidos. A matança e o revide, como quer o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, só resultará em mais mortes. É preciso sim, agir com truculência com os truculentos, mas acima de tudo o estado deve desmontar os esquemas criminosos. Porque aí estará guardado o segredo do limite, para que não haja excessos.

Só a política de tolerância zero, somada a inteligência que desmontará os castelo de cartas do crime organizado e uma política social efetiva, trará paz ao estado. Qualquer outra medida será paliativa e a guerra continuará bem como a insegurança e o medo.

Até a próxima!

 

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