Internação compulsória responsabilidade ou isenção do Estado?

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No início de 2012 o Governo de São Paulo, comandado por Geraldo Alckmin, iniciou uma ofensiva no Centro da capital paulista, com o intuito de desmantelar o tráfico de crack. A única coisa que conseguiu foi deixar os dependentes químicos mais ouriçados. Exatamente um ano depois, o mesmo governo autoriza a internação compulsória dos mesmos dependentes químicos, mais uma atitude atabalhoada? Possivelmente.

Se torna cada vez mais claro, que o viciado em crack é uma pessoa doente, que não consegue diferenciar entre cocaína e cimento branco, mas a internação compulsória é a melhor solução? Eu não sou especialista, mas a atitude do governo paulista parece uma forma desesperada de “limpar”o centro de São Paulo dessas pessoas.

Não há clinica que consiga manter um doente preso, quando ele se sente forte o bastante para caminhar sozinho e fugir. Quais são as garantias que o governo paulista pode oferecer de que o doente, ou dependente químico, cumpra o tratamento de maneira adequada, para que ele fique longe da droga.

Não há quem consiga se livrar do crack, mas o que tenho visto, principalmente perto aqui de casa (República), é que os dependentes que conseguem vencer o crack são aqueles que conseguem manter-se com abstinência maior. Contudo, forçá-los a internação é alguma garantia?

É fato que os dependentes químicos causam uma sensação de insegurança. Eles estão em um estado deplorável, de quem realmente chegou ao fundo do poço, e para roubar um celular e trocá-lo por uma “pedra” se faz em um estalar de dedos. A internação compulsória mostra o Estado preocupado com o problema, mas não responsável como deveria ser, até porque não tem estrutura física para manter os dependentes longe da droga.

O problema é muito maior do que simplesmente tirá-los das ruas e colocá-los em clínicas públicas. Somente uma revolução social na vida deles e de suas famílias pode acabar com esse inferno. Ou que ele seja internado sem direito a sair da clínica, como se estivesse preso. Porém, em ambas as opções o estado deve se preparar e não assinar qualquer papel timbrado.

Mas aí vai um recado para os maconheiros de plantão: nenhum daqueles dependentes químicos que estão fumando crack na rua Helvetia começaram no crack. Eles começaram no embalo de um baseado e depois para a cocaína e se afundaram no crack. Então, se você acha legal, engraçadinho, esperto, maneiro ou sei lá o que for, comece a refletir, se não, o próximo internado compulsório pode ser você.

 

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