Quando a impopularidade atrapalha o desenvolvimento

Vereador José Américo (PT)
Vereador José Américo (PT)

Durante décadas a palavra “desenvolvimento”, na cidade de São Paulo, tinha o significado de expansão econômica e riqueza. Atualmente, há discussões mais incisivas sobre as questões sociais, ambientais e sustentáveis. Ontem, acompanhei a bela iniciativa do vereador Ricardo Young, “Segundas paulistanas” e vi que é possível fazer um mandato participativo, ativo e que atenda realmente as necessidades da população.

Contudo, vi também o medo dos vereadores, personificados no presidente da Câmara, José Américo (PT), sobre atitudes impopulistas, que podem trazer desenvolvimento, no seu conceito mais amplo. No seu discurso, o vereador petista afirmou que é difícil tomar decisões que mexem com a rotina dos paulistanos. “A criação de um corredor de ônibus na [avenida] 23 de maio, por exemplo, vai revoltar, principalmente, os moradores da Vila Mariana”.

O vereador afirmou que existe dinheiro, é possível construir, mas que esbarra na vontade dos moradores paulistanos de classe média, média-alta, que não querem perder uma faixa numa via tão importante para a cidade. Sinceramente, é deprimente escutar uma declaração dessas.

De acordo com dados da SPTrans, a cidade possui mais de 6 milhões de cidadãos que utilizam o ônibus, o Metrô afirma que transporta mais de 3 milhões de pessoas, recentemente, o Detran informou que São Paulo tem mais de 5 milhões de carros. Ou seja, definitivamente não dá mais pra pensar no transporte individual como solução para o trânsito paulistano.

Enquanto os vereadores tiverem a mesma mentalidade que Américo, os paulistanos é que sofrerão as consequencias, mesmo aqueles que estão confortavelmente instalados no seu automóvel com ar condicionado. Afinal de contas, nessa toada, as ruas da cidade estarão literalmente travadas.

Para o bem da “terra da garoa” e de todos os paulistanos, é necessário sim, tomar atitudes impopulistas, como manter a inspeção veicular (já discutida aqui no Libero Social) e o pedágio urbano (também aqui já discutida).

Vivemos um mundo onde “compartilhar” é a palavra chave, seja no mundo virtual ou no real. Portanto, senhores vereadores, tenham atitudes para o bem coletivo e não se preocupem com a opinião pública medíocre, que só vê o interesse dela e de sua “panelinha”.

*Rafael Sampaio é administrador de empresas, paulistano, mora próximo a Praça da República, tem 62 anos, avesso as redes sociais e possui olhar crítico aos detalhes da cidade.

 

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