Amados e odiados PMs serão julgados depois de 21 anos da invasão no Carandiru

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Atualmente, o belo Parque da Juventude ocupa a área que antes era ocupada pela Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, um dos mais estigmatizados complexos penitenciários, que foi desativado em 2002. Para mim, quando de fala em cadeia, eu lembro do Carandiru. Contudo, há 21 anos, durante uma rebelião, soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo entraram no presídio e mataram 111 presos.

Conhecido como “Massacre do Carandiru”, a invasão foi marcada pela austeridade do Estado que, ao contrário do que se esperava, perdeu força, possibilitando a criação incisiva de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), criado em agosto de 1993.

A avalanche de críticas a operação, bem como os discursos bem montados dos grupos dos direitos humanos fez com que o Estado de São Paulo e suas polícias fossem apontadas como criminosas, o que inibiu ações policiais. Ouso dizer, que vivemos uma situação crítica na segurança pública por causa daquele 2 de outubro de 1992.

Hoje, inicia-se o julgamento de policiais militares que participaram da operação. Contudo, o policial militar não aperta o gatilho sozinho. Recebeu ordens expressas para matar, não só do Coronel Ubiratan Guimarães, que assumiu o comando das mortes (morto em 2006), mas pelo secretário de segurança pública da época (Pedro Franco de Campos) e do Governador do Estado, Luiz Antonio Fleury Filho, ou seja, nenhum dos três será julgado.

O médico Dráuzio Varella é uma testemunha ocular da história, sua experiência no presídio lhe conferiu a capacidade de analisar os fatos de maneira mais consciente, não é a toa que escreveu o livro “Estação Carandiru”. Tanto Varella, quanto outros membros da operação sabiam que havia outra forma de conter a rebelião, mas os “cabeças” queriam sufocar o incomodo. A truculência do Estado o transformou no culpado e pagamos por isso até hoje.

Por outro lado, havemos de convir, que nenhum dos mortos eram benevolentes, agentes da paz e da filantropia, mas assassinos inescrupulosos e criminosos danosos a sociedade. Me desculpem os grupos de direitos humanos, mas, sinceramente, nenhum dos 111 mortos fazem diferença na sociedade.

Aguardemos o julgamento, mas sabemos que o que vier, nunca será o julgamento ideal, porque quem saiu perdendo com toda essa história são os cidadãos de bem, paulistas, que são obrigados a viver na insegurança, ocasiona pela invasão.

 

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