Você se alimenta de carros?

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O Governo Federal anunciou no último sábado (30), que prorrogará até 31 de dezembro de 2013 a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis e caminhões. Estava previsto para hoje (1º) o aumento do imposto. A redução do IPI foi divulgada pelo Governo em maio do ano passado e prorrogada várias vezes.

Os estímulos para compra de carros transformarão as cidades em verdadeiros infernos poluidores e todos os seres vivos, inclusive os humanos, arderão no metal quente dos escapamentos. Como se não bastasse o caos vivido pela população, em função do grande número de veículos, o Governo incentiva a compra de mais carros.

Contudo, a atitude do Governo não prejudica apenas o transporte, mas efetivamente a economia brasileira. Se a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) está feliz com a medida, milhões de brasileiros estão passando sufoco para colocar comida na mesa dos seus familiares.

Não se trata de um discurso esquerdista, como deveria ser o Governo Federal do PT, mas uma situação delicadíssima para a população de baixa renda e da nova classe C, que convenhamos não se alimenta de veículos.

Qualquer dona de casa sabe que ir ao supermercado e encher o carrinho com R$ 50 está se tornando cada vez mais uma missão difícil. Para se ter uma ideia, O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), indicador que mede a variação de preços em 12 meses para as famílias com ganho mensal de até 2,5 salários mínimos, em fevereiro, foi de 6,94%, nível superior ao da média dos brasileiros, que registrou 6,04%.

Isso acontece porque os preços dos alimentos adquiridos pelos consumidores de rendimento mais baixo dispararam. Para a população mais pobre, 30% do salário são destinados às compras de supermercado, enquanto para a média dos brasileiros os alimentos representam 20% das despesas.

A carga tributária incidente sobre os alimentos tem média de 27,5% do total do valor cobrado pelos produtos. A carga tributária sobre os alimentos nos Estados Unidos é de 14,82%, semelhante à de Portugal, de 15,36%, por exemplo.

A redução de impostos deve ser feita. Isso é incontestável. O problema é que o Governo Federal não vai diminuir a arrecadação de impostos, então a conta é simples: se eu diminuo o imposto dos automóveis eu aumento nos alimentos e o resultado é sempre negativo para as classes menos abastadas. O ministro da fazenda, Guido Mantega está errado, ou está privilegiando interesses econômicos das grandes corporações.

 

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