São Paulo: refém do crime organizado

marcola

As recentes denúncias divulgadas pela imprensa, no qual o líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, afirma que ele é o responsável pela diminuição da criminalidade em São Paulo e até “decretou” o assassinato do governador, Geraldo Alckmin, só quer dizer uma coisa: o Estado mais rico da Federação está refém da bandidagem.

As gravações obtidas pela imprensa são de 2011, ano em que Alckmin voltou a assumir o Estado. Na época, o então secretário de segurança pública era Antônio Ferreira Pinto, que assumiu o lugar de Ronaldo Marzagão, que pediu demissão e alegou “motivos estritamente pessoais” para sua saída. Mas há rumores de que a demissão foi causada pelo desgaste provocado pelas acusações de corrupção contra seu ex-secretário-adjunto, Lauro Malheiros Neto.

Por sua vez, Marzagão substituiu Saulo de Castro Abreu Filho, que esteve a frente da Secretaria de Segurança Pública durante os ataques promovidos pelo PCC em 2006. Outro nome importante é o de Nagashi Furukawa, que era secretário de administração penitenciária em 2006 e pediu demissão 10 dias depois dos ataques. Ele afirmou abertamente que não compactuaria com “concessões ilegítimas” aos presos.

Furukawa foi substituído por Antônio Ferreira Pinto, que se tornaria secretário de segurança pública e foi substituído por Fernando Grella Vieira, atual secretário, que ainda não tinha ocupado nenhum cargo de confiança no Estado.

Em 2006, nada foi confirmado sobre acordos com a organização criminosa, mas é fato, que poucas vezes, nos últimos sete anos, ouviu-se falar de rebeliões em presídios. É possível notar, nesse breve retrospecto do comando da Secretaria de Segurança Pública, que há uma dança das cadeiras, mas que não há uma efetiva mudança, que desmonte o grosso esquema de corrupção que aflige o Estado.

De acordo com as gravações, Alckmin é o inimigo número 1 do PCC, mas a organização tem poder suficiente para parar com o crack dentro dos presídios, diminuir a violência nas ruas, comandar o tráfico de drogas e coordenar ataques de dentro das próprias cadeias. Ou seja, para que tudo isso seja possível é fundamental a participação de agentes do governo: corrupção.

De acordo com as investigações do Ministério Público de São Paulo há ramificações do PCC por todo o Brasil e até na Bolívia e Paraguai. Mais do que vender drogas, essa organização criminosa criou um verdadeiro estado paralelo, onde há comércio, indústrias, leis e até dialeto próprio. Isto é, um emaranhado de interesses brindado com dinheiro e sangue da população, que se tornou oprimida pelos agentes do crime.

Durante a Operação Mãos Limpas, que aconteceu na Itália durante década de 1990, para dar fim a famosa máfia italiana, a exposição da investigação mostrou que o país estava mergulhado na corrupção, nas diversas esferas do governo. É exatamente isso que está acontecendo no Estado de São Paulo. A prisão do primeiro-tenente da Polícia Militar, Guilherme William Pacheco da Silva, sob suspeita de associação ao crime organizado, depois das gravações que o ligam ao PCC, é apenas a ponta do Iceberg

O PCC e a máfia italiana são muito semelhantes, talvez a organização criminosa paulista seja ainda mais rica e poderosa que os primos italianos. A penetração da corrupção vai muito além de “praças” da Polícia Militar ou agentes da Policia Civil. Está entranhada no Governo do Estado e só uma operação semelhante a Mãos Limpas poderá retirar o câncer que assola a população paulista.

Aos petistas de plantão, não acreditem que uma eventual conquista de Alexandre Padilha no Estado de São Paulo transformará o Estado em um lugar limpo de corrupção. A transformação da qual estou falando começa no Poder Judiciário, com o envolvimento do Ministério Público e atuação efetiva de agentes da segurança pública. Acredite. Há policiais e agentes públicos honestos o bastante para limpar toda essa sujeira.

Autor – Rafael Sampaio é administrador de empresas, paulistano, morador do centro, próximo a Praça da República, tem 63 anos, avesso as redes sociais e possui olhar crítico aos detalhes da cidade. É tido como reacionário, mas não se considera um.

 

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